ISC 2015: O congresso da SIA

Foram 3 dias de congresso, com 4 sessões e um painel de discussão por dia.

 

Foi uma surpresa bastante agradável ver como neste ano a SIA inovou no seu estilo de dar palestras.

 

Até o ano passado, algumas sessões eram gratuitas, outras pagas. Ao longo dos anos, venho assistindo um pouco de cada. Basicamente, não havia muita diferença entre as sessões pagas e as gratuitas, apenas o tema mudava.

 

Mas era sempre o fabricante de determinado produto mostrando como seu produto era maravilhoso, etc., o que era bastante óbvio, já que ninguém iria lá para falar mal de seu próprio produto...

Mudando as regras do jogo

Neste ano, a SIA fez diferente: Pediu o patrocínio dos fabricantes para que todas as sessões fossem gratuitas.

 

A grande sacada foi que, neste congresso — cujo maior patrocinador foi a WDC —, o Sr. Franz Kemper, diretor da SIA Brasil, e o Sr. Vanderlei Rigatieri, diretor geral da WDC, incumbidos da coordenação das sessões, estipularam que os palestrantes iriam falar das tecnologias que conhecem e dominam, não de seus produtos.

Out of the Box Semprei simpatizei com essa expressão. Gosto de pensar diferente, de fugir da doutrinação imposta pela mídia para que gostemos de determinado produto ou marca. Se não fosse esse pensamento, o mundo não seria o que é hoje, pois todos os grandes pensadores, inventores, cientistas, etc., deixaram sua marca na História porque pensaram "Out of the Box". E é essa linha de pensamento que sigo quando escrevo meus artigos para este site: Enxergar — e mostrar — as tecnologias como elas realmente são, não como o mercado quer que as vejamos.Isso tornou o congresso bastante interessante, recheado de idéias novas e pontos de vista diferentes — out of the box, que significa "pensar fora da caixinha", ver as coisas de maneira diferente.

 

É claro que quando discorriam sobre certas funções se referiam a seus produtos, mas era uma inserção sutil, inserida no contexto da apresentação.

 

Out of the box. Esse foi o mote de todo o congresso.

 

 

 

As sessões

 

Infelizmente, não tive tempo hábil para assistir à todas as sessões; consegui assistir apenas de 2 a 3 sessões por dia e o painel de discussão. Portanto, peço desculpas antecipadamente àqueles cujas palestras não pude assistir, que com certeza, foram tão boas quanto as que presenciei.

 

Segue abaixo um breve relato das sessões que pude presenciar.

 

 

 

 

 

O primeiro dia

 

Na apresentação da Axis, "Os mitos da vídeo vigilância por IP", o sr. Sérgio Fukushima comentou sobre edge intelligence, onde as câmeras IP têm vídeo analítico incorporado para várias funções, enviando apenas dados para a central de monitoramento, economizando assim em largura de banda.

 

Disse também que, em média, a divisão de custos em um projeto IP é:

 

- Câmeras: 25%

 

- Armazenamento: 30%

 

- Servidores: 20%

 

- Switches: 15%

 

- Software: 10%

 

Informou que a Axis terá sua primeira câmera com H.265 (veja o artigo H.265: O novo formato para compressão de imagem) em 2016 mas, enquanto isso, está lançando o Axis Zipstream, uma implementação por hardware que, como o H.265, reduz a necessidade de armazenamento pela metade, mas ainda utilizando a tecnologia H.264 atual.

 

Falou também sobre outras novidades da Axis, como câmeras térmicas, light finder, WDR para aplicações forenses, Shock Detection e estabilização de imagem eletrônica.

 

Por último mostrou uma câmera speed onde estão acopladas 4 câmeras fixas, cobrindo uma área de 360°, o que evita o problema dos pontos cegos de uma speed dome comum.

 

Na apresentação da ISS, "Solution Ecossytem VMS e Analytics", o sr. Aluísio Figueiredo, COO da ISS, comentou sobre video intelligence, o software VMS associado aos recursos de vídeo analítico.

 

Mas ele não ficou discorrendo sobre aquelas funções básicas do vídeo analítico que todo mundo já conhece; falou das dificuldades específicas que seus clientes tinham e como sua empresa teve que pensar "out of the box" para atendê-las.

 

São funções já existentes no VMS que tiveram que ser aprimoradas e adaptadas para situações especiais e difíceis de atender, tais como:

 

- Catraca: Reconhecer como evento de alarme quem passa por baixo ou pula por cima, sem pagar, porém ignorando quem passa normalmente;

 

- Reconhecimento de placa: Sem sensor no chão, até 140 km/h; identificar o estado de origem da placa pelo seu desenho de fundo; placas com desenhos ao fundo que dificultam o reconhecimento;

 

- Reconhecimento de container: A codificação não é padronizada seja em posicionamento, número de linhas ou tipo de letra; caminhões levando 2 contêineres;

 

- Segurança no trabalho: Reconhecimento de funcionários sem capacete para empresa que era constantemente multada por esse motivo;

 

- Reconhecimento facial para reconhecimento de jogadores compulsivos que eram proibidos de entrar em cassinos e que, quando não eram barrados, processavam o cassino pela sua perda.

 

Justificou como o investimento em um software VMS pode ser pago pela economia obtida, citando como exemplo um cliente que no tempo que levava para cadastrar 2 caminhões, passou a cadastrar 7 com seu software de reconhecimento de contêineres.

 

Painel de discussão

 

Alguns assuntos debatidos:

 

- CFTV em viaturas:

 

Problema de cobertura na mudança de célula.

 

Handover: Sobreposição de cobertura para evitar sombra.

 

- Speed dome com 4 câmeras fixas da Axis:

 

Foi questionado se uma câmera fisheye ou uma câmera megapixel não conseguiria fazer o mesmo papel.

 

Para quem quiser se aprofundar no tema, sugiro a leitura dos artigos abaixo, publicados por mim neste site:

 

Megapixel ou Speed Dome?

 

Câmeras Fisheye

 

- H.265:

 

Foram feitas várias perguntas sobre esse novo protocolo de compressão, sendo que muitos nunca tinham ouvido falar dele.

 

Em agosto do ano passado eu já havia publicado neste site um artigo abordando esse assunto com detalhes:

 

H.265: O novo formato para compressão de imagem

 

O segundo dia

 

Em uma segunda apresentação da ISS, "VMS não é tudo", o Sr. Aluísio Figueiredo, COO da ISS, abordou os tipos de VMS:

 

- Low end: Para até 32 câmeras, normalmente oferecido pelo fabricante da câmera IP;

 

- Mid end: Onde está concentrada a maioria dos produtos, muito similares entre si;

 

- Hi End: Produtos customizados, de alto custo, para milhares de câmeras e vários Petabytes de gravação.

 

 Na apresentação da Pelco, "Análise de vídeo embarcado", o Sr. Wesley Moraes, gerente de Vendas Brasil, falou sobre a tendência, já apontada pela Axis no dia anterior, das câmeras IP terem vídeo analítico incorporado.

 

Painel de discussão

 

O painel de discussão desse dia foi bastante interessante porque as posições se inverteram; o sr. Vanderlei (WDC), percebendo que a plateia tinha muito a contribuir, passou de fornecedor de informação à entrevistador, fazendo perguntas e ouvindo as experiências dos participantes.

 

Essa foi mais uma atitude "out of the box" que deu excelentes resultados, já que a plateia era bastante seleta: além dos profissionais da área, havia grandes clientes que tinham muita experiência para contar.

 

Alguns assuntos debatidos:

 

- Ninguém quer pagar pelo projeto;

 

- Clientes querem mudar de sistema tradicional para IP;

 

- Concorrências e licitações;

 

- A necessidade de se dar treinamento também para o usuário final, para que ele saiba o que está comprando;

 

- A concorrência das empresas de TI fazendo projetos de segurança;

 

- Datacenters de bancos estão usando uma câmera em frente de cada servidor.

 

 

Clube do CFTV O sucesso da fórmula adotada neste painel de discussão me fez pensar: Por que temos que esperar mais um ano para repetir essa experiência? Por que não criamos uma associação da qual participariam os profissionais da área, a imprensa especializada e também os clientes, para discutir mensalmente as tendências do mercado, as novidades, trocar experiências? Acredito que essa associação seria muito proveitosa para todos. Fica aí a sugestão...

 

Após o painel de discussão, uma grata surpresa: um show de stand up comedy com o comediante Murilo Couto.

 

O terceiro dia

 

Na apresentação da Samsung, "Boas práticas para implantação de sistemas IP...", o sr. Claudemir Martins, gerente de treinamento, explicou como a utilização das ferramentas de cálculo e design adequadas, aliadas à uma boa documentação, podem ajudar no projeto e na instalação de sistemas de segurança.

 

Painel de discussão

 

Foi apresentada a excelente palestra motivacional "Alavancando vendas no mercado de segurança" pelo Sr. Marcos Souza

 

Sorteios

 

Após os painéis de discussão de cada dia eram sorteados 3 Power Banks e um tablet Samsung, sendo que no terceiro dia o Sr. Marcos Souza também sorteou um livro e um DVD de sua autoria. Ainda, ao sair, cada participante recebia um brinde da WDC.

 

 

 

 

 

Conclusão

 

Este é o resumo do congresso da SIA 2015: boas apresentações, painéis de discussão esclarecedores, prêmios, show de stand up, palestra motivacional, brindes. Tudo isso de graça!

 

E olha que hoje em dia estão cobrando até por injeção na testa...

 

Meus parabéns à SIA e às empresas que patrocinaram o congresso.

Mar/2015

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